Coletiva interessante a da Toyota hoje em São Paulo. Primeiro apresentações curtas do Corolla com motor Dual VVTi, depois bate-papo com os executivos e test-drive até Itú, no interior do estado, onde me encontro no instante em que escrevo o post. Não me lembro de ter visto uma montadora ser tão sincera num lançamento.

A apresentação de Luiz Carlos Andrade Júnior mostrava o Civic à frente do Corolla nas vendas e um reconhecimento que o sedã da Toyota não havia agradado a imprensa: “Mais do mesmo”, lembrou o vice-presidente da marca no Brasil.

Ele me explicou depois que houve jornalista que até considerou essa geração apenas um facelift. Segundo Andrade, a Toyota ouviu as reclamações e resolveu agir. Tudo começou com a campanha “dirigir é incrível” para mudar a imagem de que o sedã é carro para pessoas mais velhas. Depois veio o GLi com pacote mais acessível. Claro que a concorrência ajudou: a Honda lançou o City e dividiu seus clientes.

A liderança voltou em 2009 e é mais forte do nunca, mas mesmo assim a montadora quise melhorar a oferta do carro com o motor 2.0 Dual VVTi além de oferecer o câmbio sequencial com paddle-shift no volante. Ar-condicionado e suspensão também melhoraram para oferecer maior eficiência e, no segundo, isolamento acústico.

Como já adiantamos aqui, apenas as versões XEi e Altis (antiga SE-G) terão o motor. O preço é mesmo aquele que divulgamos: R$ 75 830 no caso do XEi e R$ 89 160 no Altis. Perguntamos aos executivos se isso não é caro demais para um sedã médio, ou seja, dá para levar um Fusion 2.5 e sobrar um belo troco. Eles disseram que há demanda embora o foco seja mesmo no GLi e XEi, responsáveis por 80% das vendas.

A meta, inclusive, é ampliar esse volume para 60 mil carros por ano contra 54,5 mil em 2009. Mas, afinal, o Corolla precisava mesmo de um novo motor?

Eis a questão. A Toyota apresentou números de consumo praticamente iguais no 2.0 em relação ao 1.8: 6,17 km/l contra 6,43 km/l, lembrando que esses dados foram obtidos pelo Instituto Mauá e seguem outros critérios que os do Inmetro.

Uma boa ideia da Toyota foi disponibilizar o modelo antigo para test-drive juntamente com o 2.0. Fomos com o SE-G 2010 até a fábrica, em Indaiatuba, e depois andamos no 2011 Altis até Itu. Algumas mudanças foram imperceptíveis, como o ruído a bordo – o antigo já era muito silencioso.

Já o motor demonstra mais apetite em retomadas e em acelerações, ao contrário do 1.8. Apesar de oferecer o paddle-shift, a Toyota manteve o câmbio automático de quatro marchas, porém, trata-se de outro equipamento, mais robusto. A relação é bem agradável, mas poderia ser melhor ainda com cinco velocidades. O paddle-shift traz de bom o fato de deixar o motor entrar na faixa de corte, mas inibe as trocas nas borboletas quando não está na rotação ideal. Há um atraso entre o acionamento e a efetiva troca.

Ao contrário, do Civic, as borboletas do Corolla ficam bem visíveis e são maiores, mais ao estilo de esportivos. Apesar disso, não combinam tanto com o perfil do carro. A Toyota pode estar certa que o Corolla é um carro bom de dirigir, mas está longe de ter um caráter agressivo para quem gosta de agilidade.

A novidade é mais um agrado aos clientes – o que é louvável – que um motivo a mais para comprá-lo.