Um executivo envolvido diretamente com a definição de preços de uma das 10 maiores montadoras do Brasil garante: 33% do valor final do carro zero km nacional vai para o bolso do governo, nas diversas formas de impostos e taxas que cobra – os importados, então, nem se fale.

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É como se o governo federal fosse o maior ‘sócio’ de todas as mais de 50 marcas que atuam no país, mas sem investir nada – até os empréstimos oficiais acabam saindo do nosso bolso.

Para um presidente de uma outra montadora, o Brasil deveria mudar a forma de cobrar os impostos: em vez onerar a produção, cobrar pelo uso. Ou seja, o carro seria mais barato – nos EUA, por exemplo, os impostos são de cerca de 6% do valor do veículo -, mas rodar com ele sairia mais caro que hoje.

À parte essa discussão, o fato é que o mercado brasileiro ainda tem muito espaço para crescer. Hoje a média de carros por pessoa ainda é baixa, de apenas 200 veículos por mil habitantes. Na Europa, essa média é de 500 pessoas, ou seja, um carro para cada 2 pessoas. Temos uma capacidade para produzir 5 milhões de carros por ano, mas vendemos em 2014 apenas 3,3 milhões. Tem gente querendo comprar, tem gente querendo vender, só falta o governo largar o osso da arrecadação fácil.

Arrecadar dinheiro vendendo carro no Brasil é uma moleza

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