Como grande parte dos brasileiros, sou apaixonado por carro, mas confesso ter realmente estranhado o convite de escrever uma “coluna” aqui para o BlogAuto… até abrirem que na verdade queriam que escrevesse sobre a minha outra grande paixão que flerta com o mundo automobilístico há décadas: o videogame!

Assista o vídeo: Papo de piloto como Chico Serra

Me pareceu fácil a priori por acompanhar os dois mundos há tanto tempo, mas a maior dificuldade surge justamente daí: é tanta coisa pra escrever que provavelmente vai gerar um post bem grande, que vamos dividir em três partes. Pra não ficar absurdamente extenso e como me pediram para escrever algo sobre carros e games, decidi elencar os 15 (impossível citar todos) maiores divisores de águas do gênero automotivo nos games até os dias de hoje. Já ressalto que essa é a minha visão pessoal e não representa algo universal, tampouco a visão do BlogAuto, ou seja, se não concorda com a lista, acha que algum jogo deveria ter figurado e ficou de fora, o espaço nos comentários é todo seu pra defender seu ponto de vista e nos recomendar outros jogos!

Preparados? Então coloque a ficha, aperte os cintos, ready, set, GO!

Speed Race

Speed Race

1 – Speed Race (Fliperama – 1974)
Apesar da história dos videogames se iniciar em 1947 e o primeiro automóvel ser fabricado em 1886, a união desses dois mundo só aconteceu em 1974 com o jogo “Speed Race” da Taito trazendo como inovações o gabinete com controle em forma de volante e pedais de aceleração. O jogo é bastante fraco, mas trouxe como inovação o “scrolling”, aquele efeito que faz com que o cenário corra para um dos lados da tela, dando a impressão de que o veículo, centralizado na tela, está se movendo. Infelizmente conseguir uma boa imagem desse jogo é muito difícil, mas dá pra assistir um pouco do gameplay neste vídeo abaixo.

Enduro

Enduro

2 – Enduro (Atari 2600 – 1983)
Quem teve um Atari (ou um amigo que teve) e nunca jogou Enduro? Rodando em um console doméstico provavelmente foi um dos jogos de corrida mais jogados de toda a história e responsável por massificar o conceito. O jogo trazia como objetivo ultrapassar um número pré-definido de competidores cada round da competição. Essa premissa simples se tornava um grande desafio com as mudanças de clima e horário, trazendo condições adversas como neblina à noite e gelo. Explorando de forma majestosa a capacidade limitada do Atari 2600 merece o lugar nesta lista.

Pole Position

Pole Position

3 – Pole Position (Fliperama – 1982)

Quem foi criança ou mesmo adulto nos anos 80 com certeza gastou muita ficha nesse jogo. Pole Position revolucionou o mundo dos fliperamas de corrida com cores vivas, gráficos impressionantes para a época, sensação de velocidade impressionante e a cereja do bolo: vozes digitalizadas. Pra garotada que fazia fila em frente à máquina, ouvir aquele “Prepare to qualify” sintetizado era ficção científica. O jogo fez tanto sucesso que foi portado para praticamente qualquer plataforma que suportasse uma versão, ainda que tosca. Isso incluía minigames, computadores e consoles, incluindo o Atari 2600!

RC-Pro AM

RC-Pro AM

4 – RC Pro-AM (Nintendo – 1988)
RC Pro-AM inovou em três conceitos básicos que viriam a ser copiados por outros ótimos jogos no futuro como R.C. Grand Prix e Rock’n Roll Racing: Primeiro ele estabeleceu jogabilidade isométrica, ou seja, os carros não seriam mais vistos nem de cima, nem de trás, nem de lado e sim uma visão de câmera aérea de 45°. Segundo, os veículos não eram tripulados e sim carrinhos de controle remoto! Terceiro, você poderia equipar seu veículo com Power-ups e usar algumas armas secretas contra os demais corredores. Os controles são ótimos e as cores bem vivas, algo não muito comum no NES (aqui conhecido como “Nintendinho”, Phantom System, Dynavision, etc).

Test Drive

Test Drive

5 – Test-Drive (PC – 1987)
Presente até hoje como uma das melhores franquias de jogos de corrida trouxe o conceito de “simulação”, presente anteriormente apenas em jogos de nave para o mundo dos autos. Foi lançado na época em que os mais abastados tinham um belo 386-AT rodando a 33MHz e um belo monitor VGA colorido. Colocou o jogador dentro do veículo e brincou pela primeira vez com simulações mais realistas de terreno e visão em primeira pessoa, ainda que totalmente em 2D. Após experimentar todo o “realismo” você voltava pra casa certo de que seu videogame era coisa de criança! Felizmente para quem não tinha computador a ótima sequência Test Drive 2: The Duel acabou saindo também para o Mega Drive e o Super Nintendo. Vale ainda a menção ao excelente “Test Drive: LeMans” para o Sega Dreamcast

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Na semana que vem teremos a próxima parte da nossa trilogia, aguarde.

Nota do Editor: O Rodrigo Rubio é engenheiro, marketeiro e colecionador de videogames, apaixonado por tecnologia, carros e comida japonesa, não necessariamente nessa ordem!

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A História dos Games Vs. Carros – Parte 1/3 – Rodrigo Rubio