Renault pensa em construir nova fábrica no Brasil

Fábrica da Renault em São José dos Pinhais

Não é só a rival PSA (Peugeot e Citroën) que anda analisando a possibilidade de construir uma nova fábrica no Brasil. Agora a Renault também admite isso, uma virada impensável até outro dia quando a planta de São José dos Pinhais vivia às moscas.

Antes, no entanto, a prioridade é tentar ampliar a fábrica paranaense, mas as dificuldades de negociação com o sindicato dos metalúrgicos local pode motivar a procura por outro estado, provavelmente no Nordeste. Em último caso, a Renault poderá optar por Argentina ou México que têm custos de produção menores.

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Como se vê, apesar de ser o 4º maior mercado do mundo, o Brasil continua “detestando” produzir carros: cobra absurdos em impostos, incentiva a produção de veículos simples com motor que só tem demanda aqui e tem sindicatos sem visão que preferem brigar por migalhas em vez de ajudar a ampliar a oferta de empregos.

O que a Renault e a Volkswagen passam em São José dos Pinhais e a GM passou em São José dos Campos. Qual o resultado? São Caetano, mais compreensiva, ganhou novos produtos enquanto a cidade do interior paulista ficará com as sobras da linha da montadora.

9 Comments on “Renault pensa em construir nova fábrica no Brasil

  1. Via de regra, jornalista do setor automotivo deveria se ater a escrever sobre carro, pois quando sai cacarejando sobre política trabalhista ou arrecadação de contribuições acaba confundindo tudo. A pauta de reivindicações de Pinhais, que é sobre participação nos lucros, é completamente diferente de SJC, que é sobre dicídio; assim como a distinção entre as esferas públicas arrecadadoras torna a questão muito mais complexa do que a somatória de impostos (taxas, contribuições etc…), que costumam publicar. Querendo tornar tudo simples, borram. Se não quiserem se borrar, que se informem e, aí, escrevam.

    • É, realmente, "Rick", escrevendo "dicídio" em vez de dissídio mostra que vc sabe muito bem do que está falando. Se você tivesse interesse em contribuir para o debate do blog bastaria ter lido com atenção o post. Como você mesmo diz, o blog é de carros e nosso objetivo aqui é incentivar a produção de carros melhores no Brasil. De uma maneira ou de outra, barrar investimentos numa determinada localidade não ajuda ninguém, meu caro – não importa se isso parte de sindicato, governo, justiça etc.

      O Rio Grande do Sul perdeu a fábrica da Ford por ideologia do governo da época, a GM de São José dos Campos perdeu projetos porque o sindicato foi intransigente e o Paraná pode perder investimentos se não pensar a longo prazo. Ninguém aqui quer que as montadoras paguem miséria para seus funcionários, mas não adianta viver fora da realidade, como alguns ainda insistem em pensar.

      Dissídio, participação nos lucros, plano de carreira etc, tudo isso não passa de negociação por melhores condições de trabalho. Não tem todo esse mistério que você apregoa, meu caro. Coisas que fazem parte do dia a dia. Agora transformar isso em bandeira para dificultar investimentos não se justifica.

      A mesma coisa a respeito dos impostos: pagamos absurdo pelos carros produzidos aqui, isso é fato. Já exportamos mais quando o câmbio era favorável, mas bastou nossa moeda se valorizar e lá se foi a competitividade. Perdemos o Fluence e o March para os vizinhos e vamos perder o Golf. Consumimos SUVs e crossovers cada vez mais e todos são feitos fora daqui.

      Gente como você prefere complicar as coisas para não enxergar a realidade, coisa mais triste.

  2. eu não sou um pingo solidário com metalúrgico: não me importo se um o carro é feito no Brasil, Argentina ou México. O sindicato SIM gera um alto custo para as empresas do setor (embora concorde que não pode ser apontado como único culpado dos preços altos) e isso é fatalmente repassado para o consumidor. Sou solidário ao consumidor, esse sim é o verdadeiro explorado no Brasil.

    E concordo com o blog ao dizer que os sindicatos não pensam no longo prazo. É fato que as montadoras não abrem mais fábricas onde há problema de negociação. Na década de 90 houve uma debandada do ABC para BA, RS e PR. E vão se mudar desses polos se continuar essa pecha.

  3. Dicídio ou dissídio? Eu devo ser um analfabeto mesmo! Mas infelizmente, abriu o blog, aguenta os idiotas que dispendem seu valioso tempo com erros crassos ou fique sem comentários.

    De qualquer jeito, a briga pelos impostos (de produção, é claro) é para baixo – é de qual país, estado ou município dá maior vantagem para as montadoras. Nem preciso dizer o que vc já disse, e se contradisse.

    Imposto de venda já não é problema desde que Ronald Reagan incentivou o consumo em massa do financiamento de bens duráveis a longuíssimo prazo, fazendo com que o comprador veja somente o valor da parcela. Portanto, não é motivo para não se construir uma fábrica (no quarto maior mercado do mundo). Hoje, não só no Brasil, os juros são mais baixos para comprar carro do que para morar.

    Ótima mesmo a decisão contra-ideológica da DaimlerChrysler em S. J. Pinhais e Campo Largo. Quase que os chineses canibalizam tudo. Mais de 10 mil trabalhos diretos extintos da noite para o dia. Se, por acaso, não fosse a VW, Pinhais seria a Flint brasileira. Assim como se enunciou a Kia na Bahia, bem ao estilo dos sinhozinhos de engenho, que costumam abandonar as usinas quando acaba os incentivos. A pedra inaugural ainda está lá.

    Quanto ao que chamou de "melhores condições de trabalho", aponto que reajuste salarial não é melhoria, é só reajuste. Participação nos lucros é cumprimento de acordo, de promessa, não é melhoria, é moeda de troca para que o empregador não reajuste devidamente os salários, e plano de carreira talvez seja a maneira mais barata de promover qualificação voluntária e geralmente nem consta em pautas de reivindicação. Portanto, nao é tudo a mesma coisa. Ah! Não existe realidade, mas sim realidades. Podemos estar os dois certos…

    Por fim, coitada da classe média, né. Paga impostos para não pensar se o celular é de Manaus ou de Beijing ou o carro é de SCS ou Córdoba. Infelizmente não pago impostos para economia intelectual. Pelos últimos fatos, parece-me que a classe média argentina não pensa assim, mas eles devem estar errados de qualquer jeito, né? Desculpe descordar…

    Gostei muito da acolhida do blog e, se permitir, estarei mais presente, contribuindo.

    • Rick,

      agora nós "conversamos". Longe de mim querer ser dono da verdade, mas seu primeiro comentário usou de um recurso que eu abomino: desqualificar o outro para que sua opinião faça sentido. Um debate saudável é assim, cada um mostra seu ponto de vista que pode ser complementar ou contrário. Natural. Como você disse, os dois podem estar certos como também parcialmente corretos ou até errados, sabe-se lá.

      O importante é colocar o assunto em pauta. Muita gente lê isso e sempre falo que os leitores do Blogauto são de alto nível e sempre acrescentam informações e opiniões que tornam cada post muito mais útil que matérias de grandes veículos.

      Contribua sempre que puder, Rick. Se você acha algo errado ou tem outra visão, escreva. Só peço isso: respeito com a opinião dos outros, seja do autor do texto ou de outros leitores.

      Abs,
      Ricardo Meier

  4. A questão sindical é extremamente complicada e divergente entre as regiões ou estados do país. Infelizmente tem-se muito jogo de interesses por trás das negociações e das restrições que são impostas, e pior ainda, esses interesses nem sempre são dos funcionários das fábricas. Os sindicatos na Argentina "atrapalham" muito mais do que os daqui, então a questão chave é, com ou sem sindicato atuante, as fábricas vão produzir onde lhes gerar maior lucro e ponto final.

  5. É tudo muito complicado, como disseram – essa complexidade gera custos muito altos, somados aos altos impostos, governos corruptos, funcionários semi-analfabetos que engolem conversa de sindicatos manobrados por políticos também corruptos, com longos discursos que se traduzem em migalhas – essa é a realidade de um mercado potencialmente enorme, mas que é uma verdadeira palhaçada. Vocês já sabem quem paga preço de BMW por qualidade de Tata…

  6. Pra ficar no exemplo futebolistico: A pior coisa é adiversario que nao sabe perder e, nós brasileiros, somos pessimos perdedores, gente, não dá pra ganhar o tempo todo, algumas pessoas qurem que o pais seja exemplo em agronegocio, tecnologia,automovel, etc..tomem o exemlo americano, eles exprtaram as fabricas de automoveis para o mexico, é mais vantajiso produzir lá, nos temos que seguri o mesmo exeplo, se formos bons em carros compactos e economicos, vamos deixar os luxuosos e grandes para os coreanos produzirem, vamos centrar força no que somos bons, em vez de tentar dominar o mundo. já temos petroleo, menerio de ferro, agronegocio, não quero viver num paios produtor de carro, estou satisfeito do jeito que estamso indo.

  7. Num passado bem recente, a renault da frança queria levar a produção do novo clio IV para a rep. tcheca se não me engano o país, e o resultado disso foi que o sindicato local repudiou com o proprio sarkosy que iria perder empregos na matriz e a montagem do carro continuará na matriz, agora fica uma pergunta: pq o sindicato arrecadador de muita verba( contr. sindical) não faz a mesma coisa aqui no Brasil, exigindo investmentos e redução e custo p/ fabricar carros no nosso país gerando mais empregos?!! é mais facil criticar do que procurar soluções!

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