Se existe um carro que causa orgulho na Ford é o EcoSport. Por isso criticar o modelo é arrumar confusão com a marca. Durante a coletiva de imprensa, hoje, questionamos a fase negativa do modelo e a cada vez mais ameaçadora presença do Tucson no seu caminho.
Apesar de reconhecer o perigo coreano, Antonio Baltar, o chefão de marketing da Ford, nos disse que a marca está no “ataque” oferecendo garantia de 3 anos e preços mais baixos – havíamos dito justamente o contrário, que essa estratégia já é de quem recuou para ganhar tempo enquanto a nova geração não vem.

A apresentação da linha 2011 foi recheada de elogios aos méritos do modelo, “único utilitário esportivo compacto do mercado” e perseguido por todas as marcas sem sucesso.

Bem, o EcoSport realmente é um marco em estratégia de marketing. Era para nascer como uma minivan, a obscura Fusion européia (não confundir com o sedã americano), mas num momento de inspiração, a Ford brasileira decidiu transformar o projeto BV226 num mini-Explorer em 2003.

O resultado todos sabem, mas o EcoSport já estabilizou suas vendas há anos e começa a cair, lentamente, é verdade. Embora ainda distante, a nova geração é a solução para manter a hegemonia no segmento.

Por isso esperar que a Ford invista em mudanças radicais na linha 2011 é ser ingênuo. A saída foi ganhar tempo com algumas alterações visuais para dar mais requinte ao carro e, na outra ponta, torná-lo um melhor negócio. Daí vem o desconto nos preços e a garantia de 3 anos.

Mudança discreta

Mas dá para notar o EcoSport 2011 nas ruas? Quase não. As mudanças foram discretas, mas bem executadas. A frente está mais agradável, apesar de a inscrição “Ecosport” soar apelativa. Segundo a Ford, foi a maneira encontrada para aplicar cromados no modelo sem exagerar na dose. A grade com três filetes até recebeu o aplique cromado, mas teria ficado ruim.

Quase imperceptível, os faróis também têm adornos cromados, mas as novas rodas são o ponto mais claro da mudança, além do rack longitudinal. Conclusão: medidas acertadas, mas que poderiam ter feito parte do carro há muito mais tempo.

No interior, menos novidades. O painel de instrumentos, chamado pelos engenheiros e designers de “cluster”, tem novo grafismo que pouco acrescenta. O console central também foi redesenhado para ser mais útil e os bancos receberam nova forração.

O EcoSport, no entanto, parece um carro simples que se esforçou para parecer mais sofisticado. As portas, com plásticos em excesso e borrachas que são facilmente removíveis, no entanto, entregam sua origem plebeia.

Mecânica conhecida

De resto, o modelo continua o mesmo. Motores, suspensão, transmissões são velhas conhecidas e equipamentos reconhecidos pelo bom desempenho. Dirigir o EcoSport é uma sensação de reencontrar um velho conhecido. As reações são previsíveis, a suspensão entrega até uma estabilidade acima do normal para um carro com essa altura, e o motor dá conta do recado.

O encanto pelo Eco e seu estepe externo ainda existe, mas os consumidores estão cada vez mais exigentes e ver desfilando por aí modelos como o ix35, novo Sportage e mesmo o Kuga, da própria Ford, pode acabar com essa paixão.