Nissan Leaf: recorde de vendas nos EUA daria modesto 31º lugar no Brasil

Nissan Leaf: recorde de vendas nos EUA daria modesto 31º lugar no Brasil

Em novembro, a Nissan comemorou o ‘recorde de vendas’ do modelo elétrico Leaf nos Estados Unidos. A marca japonesa ressaltou o fato de o Leaf vender em 10 meses o mesmo que emplacou em 2013 inteiro e de superar seu principal concorrente, o Volt, em 50%. Parece o quadro perfeito não fosse o fato que o veículo elétrico vendeu apenas 23 mil unidades até outubro.

É menos do que vende no Brasil o Citroën C3, que é o 30º veículo mais vendido do país. Mas estamos falando do mercado norte-americano, com volume anual acima de 12 milhões de unidades, mais de quatro vezes o nosso. E isso porque os EUA incentivam o carro ecológico.

Então podemos concluir que o carro elétrico é um fracasso? Não, ainda é cedo para decretar isso, mas ficou claro que a tecnologia, por mais promissora que pareça, tem imensos gargalos. “Enquanto as baterias não aumentarem sua capacidade e reduzirem seu peso, o carro elétrico não vinga”, explicou para o Blogauto um importante diretor de engenharia de uma montadora americana.

Para ele, as baterias impedem que os carros elétricos virem alternativa. “Há estudos que indicam que as reservas de lítio existentes hoje conseguiriam suprir baterias para 10 milhões de carros apenas”, ressalta. Esse número não supre meio ano da demanda esperada na China num futuro breve.

Não é só. Segundo o engenheiro, o peso e volume das baterias impedem um desempenho adequado: “elas representam 10% do peso do carro, o que é muito se comparado ao tanque de combustível comum”. Nosso interlocutor também questiona o caráter ecológico delas: “se a energia vier de fontes naturais como eólica e solar, tudo bem, mas e se essa eletricidade vier de uma termoelétrica?” questiona.

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De qualquer forma, o diretor acredita que os carros elétricos serão uma realidade num futuro breve, mas não a principal tecnologia. “A tendência é que uma nova geração de baterias consiga pesar menos e oferecer mais autonomia, mas é ilusão pensar que ela substituirá outras formas de propulsão. A tendência é que tenhamos vários tipos de propulsão daqui a alguns anos. E isso é bom porque equilibra a demanda por combustíveis”.

Até lá, Nissan, Chevrolet e outras marcas vão continuar comemorando cada carro elétrico vendido.

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Bateria é mocinha e bandida do carro elétrico