Ford EcoSport Titanium

Ford EcoSport Titanium

A Peugeot foi do céu ao inferno no Brasil em apenas uma década. Quem se lembra quando o 206 chegou ao país importado, no final dos anos 90? Era objeto de desejo, sobretudo do público feminino. Bonito e com aparência de ser um carro mais sofisticado – comparado às, então, carroças nacionais – o hatch francês logo ganhou cidadania brasileira, mas…

…perdeu o encanto algum tempo depois. A marca decidiu, então, dar um tapa no visual da mesma forma que Volks e Fiat faziam, e o rebatizou de Peugeot 207. A sacada acabou dando errado, a Peugeot perdeu mercado e só faz cair no ranking de vendas, mesmo depois de corrigir esse erro com o novo e moderno 208.

Mas qual será a solução para reverter essa situação? Lançar um SUV. É no 2008, um jipinho que usa a mesma base do 208 que a Peugeot aposta suas fichas para voltar a crescer no Brasil. Mas, principalmente, a ganhar dinheiro.

Peugeot 2008

Peugeot 2008

Sim, meus caros leitores, se alguém sorri mais do que o dono de um utilitário esportivo esse é o executivo da montadora. Montados numa base simples, eles podem ser vendidos por preços bem mais altos mesmo sem oferecer a tecnologia equivalente a de um sedã ou hatch médio. Não é à toa que todas as marcas estão pensando neles como tábua da salvação.

O SUV é uma espécie de ‘coxinha com catupiry’: parece mais refinado, mas é o mesmo salgado frito que o original. Só que dá para cobrar mais por ele.

Pouco utilitário

É claro que um SUV tem virtudes que outros modelos não têm. A altura em que viajam os passageiros é a principal (embora as quase sumidas minivans também o façam). Com maior visão, o motorista se sente mais seguro ao dirigir. Já os ocupantes desfrutam de um acesso mais fácil. Isso, no entanto, não significa maior espaço interno. Muitas vezes, o porta-malas mal se compara ao de um hatch, por exemplo.

O problema é que o dono de um SUV acaba pagando caro não só no preço, mas também em outras frentes. Geralmente mais pesados, os jipinhos não se dão bem com motores mais fracos. Um motor 2.0 que sobra num Civic é apenas mediano num CR-V. Com mais área frontal, esses modelos também sofrem com a aerodinâmica.

Não é só. Modelos como o EcoSport, Duster e o futuro HR-V derivam de carros mais simples  e baratos – Fiesta, Logan e Fit, respectivamente. Isso significa que a suspensão traseira é do tipo eixo de torção, menos precisa que a multibraços que equipa o Focus e o Civic, carros que custam parecidos com eles. Também dispensam o freio a disco na traseira, substituídos pelos que usam tambores.

Branco que parece pérola

Essa simplicidade justifica a margem mais alta de lucro para as montadoras e está por trás da invasão desses modelos nos próximos anos. A Fiat, por exemplo, escalou a Jeep para lançar o Renegade, já a Nissan decidiu criar um descendente do March e do Versa com formato SUV, o Kicks, que por enquanto apareceu como conceito. A Volks deve revelar uma versão de produção do jipinho Taigun em breve e até os chineses apostam neles para voltar a crescer – a JAC terá dois novos modelos, o T6 e o T5 em 2015, e a Chery trará o Tiggo 5, completamente renovado.

Nissan Kicks Concept

Nissan Kicks Concept

Não é só no andar de baixo que eles bombam. As marcas de luxo já descobriram o filão faz tempo: Porsche, Audi, Mercedes-Benz, BMW, até a Bentley quer tirar uma casquinha. É verdade que nesses casos são carros com muita tecnlogia embarcada mas, de novo, certamente um sedã delas faz mais com menos. Não há artimética que torne um carro maior e mais quadradão ser mais eficiente que um cupê ou sedã de tamanho proporcional.

Veja também: Os melhores SUVs do Brasil com preço até R$ 80 mil

Tá bom, eu reconheço, sou voto vencido nesse aspecto. Se comprar um carro fosse um ato 100% racional muita marca nem existiria. O que vale aqui é a emoção, mas não custa dar uma pensadinha antes se realmente você está fazendo um bom negócio.

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Comprar um SUV é tentador, mas nem sempre vale a pena