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Fernando Calmon: Duster se reinventa sem alterar preços

Renault Duster 2021

Mercado de SUVs no mundo não para de crescer. A onda se originou nos EUA e se transformou em maremoto ao responder por 55% do mercado total de modelos leves. Os que mais sofreram foram os sedãs. Na Europa, utilitários para lazer e quotidiano já representam cerca de um terço de todas as vendas.

São veículos mais pesados e o aumento no consumo de combustível da frota de novos é relevante. Num momento em que todos os fabricantes enfrentam o rigor de regulamentações de emissões e economia. Esse problema afeta em especial modelos europeus. Hibridização tem ajudado e versões elétricas também, mas não será fácil evitar multas a fabricantes “faltosos”.

No Brasil o fenômeno se repete. Em 2003 o EcoSport foi o primeiro SUV compacto e o sucesso, crescente. O conjunto de todos os utilitários passou de 2% do total comercializado naquele ano para 20% em 2019. Se retiradas as picapes e acrescentados os “aventureiros” que não passam de hatches enfeitados, os SUVs no Brasil chegarão a 23% em 2020. E a tendência é aumentar nos próximos anos para perto de 30%.

Essa reviravolta nas escolhas de consumidor e aumento da oferta de novos modelos “altinhos” levou ao acirramento da concorrência. Isso explica os investimentos da Renault no seu SUV de entrada, o Duster, que acaba de chegar às lojas. Ele enfrentará nada menos de 13 concorrentes, incluindo a nova geração do Chevrolet Tracker agora em março e o inédito VW Nivus, em maio.

O Duster passou por profunda remodelação, na prática uma nova geração, ao se considerar que nenhuma peça externa se manteve sem alteração. A maior inclinação do para-brisa suavizou suas linhas, ainda inconfundíveis e robustas. Faróis e lanternas dianteiras e traseiras são novos. Capô ficou mais alto. Único pormenor destoante, o conjunto de faróis de longa alcance no pacote Outsider peca por excesso.

Interior está todo renovado com certo grau de refinamento: central multimídia de 8 polegadas, ar-condicionado de comando digital, apliques de tecido nas laterais de porta, volante com regulagem de altura (sem a incômoda queda-livre ao se liberar a trava) e agora de distância. Vedação de portas aprimorada ajuda muito na redução de ruído.

Novos equipamentos estão disponíveis: sistema ESC, sensores de pontos cego e crepuscular, além de quatro câmeras. Permanecem apenas dois airbags obrigatórios. Não há portas USB atrás e a tomada para 12 V está mal localizada. Motor de 1,6 litro/120 cv (etanol) não mudou e se ressente um pouco dos 40 kg extras do novo Duster. O de 2 litros foi descontinuado. O 1,3 litro turbo tricilindro chegará, porém antes no irmão mais sofisticado, Captur. Câmbio automático CVT é o único disponível nas versões intermediária e de topo (manual, só no modelo de entrada).

Assistência elétrica da direção diminuiu esforço em manobras e melhorou o prazer de dirigir, em razão também de maior rigidez da carroceria e suspensões recalibradas. Bancos dianteiros mais confortáveis dão boa sustentação lateral. Duster tem nada menos de 23,7 cm de altura livre do solo e o maior porta-malas do segmento, 475 litros.

Outro ponto a destacar, preços sem alteração: R$ 71.790 a 87.490.

ALTA RODA

Fernando Calmon

fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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