
Kia negocia fim da parceria com Grupo Gandini e fábrica brasileira até 2028
A Kia pode iniciar uma transformação profunda em sua operação brasileira, com a possível saída do Grupo Gandini do comando da marca após 34 anos e a transferência do negócio para o controle direto do grupo sul-coreano. A mudança envolveria não apenas importação, distribuição e rede de concessionárias, mas também um compromisso para construir uma fábrica no Brasil até 2028.
Segundo apuração do jornalista João Anacleto, do canal A Roda, os concessionários da Kia já foram informados sobre as negociações. A transição poderá ser concluída até o final de 2026, embora a empresa ainda não tenha divulgado oficialmente os termos, o cronograma ou o modelo jurídico da futura operação.
Em resumo, a Kia poderá substituir uma estrutura independente de importação por uma operação ligada diretamente ao grupo Hyundai, que controla globalmente a marca. Para o mercado, isso pode significar maior capacidade de investimento, produção nacional e revisão do portfólio. Para o consumidor, o impacto dependerá dos modelos escolhidos, da escala industrial e da política comercial adotada.
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Kia pode encerrar ciclo de 34 anos com o Grupo Gandini
A relação entre a Kia e o Grupo Gandini começou no início dos anos 1990, quando o mercado brasileiro havia acabado de reabrir as portas aos automóveis importados. Naquele momento, a fabricante sul-coreana tinha pouca presença internacional e era praticamente desconhecida pelo consumidor brasileiro.
Sob o comando do empresário José Luiz Gandini, a Kia desenvolveu sua rede de distribuição e ganhou espaço com veículos como Besta, Sportage, Soul e Bongo. Topic e Towner, embora associadas à expansão dos veículos coreanos no Brasil, pertenciam à Asia Motors, fabricante adquirida pela Kia em 1976.
Segundo apuração de João Anacleto, o Grupo Gandini deverá entregar o comando da operação até o fim de 2026. O jornalista informou também que a rede de concessionárias foi comunicada sobre as tratativas e que um anúncio público poderá ocorrer nos próximos dias.
José Luiz Gandini reuniu os concessionários em 16 de julho de 2026. De acordo com o relato atribuído ao empresário, ele explicou o andamento das negociações e afirmou que, naquele momento, a estrutura da operação permanecia sem alterações.
A Kia possui 68 pontos de venda no Brasil. A eventual mudança de controle, portanto, não se limita a uma troca administrativa. Ela envolve contratos de distribuição, estoques, assistência técnica, garantias, relações trabalhistas e a continuidade comercial de uma rede construída ao longo de mais de três décadas.
Qual é a relação entre a Kia e a dívida da Asia Motors?
A negociação também estaria ligada a um antigo passivo tributário relacionado à Asia Motors do Brasil. Segundo apuração de João Anacleto, o valor corrigido da cobrança estaria próximo de R$ 6 bilhões.
A origem do caso remonta aos anos 1990, quando a Asia Motors recebeu incentivos fiscais vinculados à promessa de instalar uma fábrica no Brasil. A unidade deveria produzir localmente os utilitários Topic e Towner, mas o projeto não foi concluído.
A crise financeira asiática de 1997 agravou os problemas da Kia e da Asia Motors. Em 1998, a Hyundai adquiriu o controle da Kia após a crise financeira da fabricante, formando o grupo empresarial que existe atualmente.
O processo brasileiro, contudo, continuou discutindo se a Kia Motors Corporation poderia ser incluída na cobrança originalmente direcionada à Asia Motors do Brasil. Em 2011, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região havia impedido essa inclusão por considerar insuficientes as provas de responsabilidade direta da Kia.
Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça anulou parte da decisão por uma questão processual relacionada à forma como a Kia apresentou sua contestação. Um recurso admitido em setembro de 2024 foi rejeitado preliminarmente em agosto de 2025. Em 8 de maio de 2026, outro recurso constava em pauta de julgamento virtual.
Esses movimentos judiciais não significam, isoladamente, que a dívida tenha sido definitivamente perdoada ou que a Kia tenha sido condenada ao pagamento. Segundo apuração de João Anacleto, existe uma negociação para encerrar o passivo em troca de um novo investimento industrial. Os detalhes jurídicos e fiscais desse acordo, porém, ainda não foram divulgados.
Fábrica da Kia poderá ser construída em Piracicaba
Segundo as informações divulgadas por João Anacleto, a contrapartida para a solução do passivo seria a construção de uma fábrica da Kia no Brasil até 2028. A unidade poderá ser instalada em Piracicaba, no interior de São Paulo, ao lado da fábrica da Hyundai.
O projeto poderá criar cerca de 5 mil empregos diretos e mais de 15 mil postos indiretos. Esses números ainda dependem da confirmação do investimento, da capacidade produtiva e do nível de nacionalização dos veículos e componentes.
A localização faria sentido industrialmente. A proximidade com a Hyundai permitiria compartilhar fornecedores, logística, engenharia, treinamento de mão de obra e parte da infraestrutura operacional. Também reduziria o tempo necessário para estruturar uma nova cadeia produtiva.
Ainda não se sabe quais modelos seriam fabricados. O tipo de veículo, a capacidade anual da unidade, o valor do investimento e o percentual de componentes nacionais são dados não divulgados.
A escolha do portfólio será decisiva. Produzir apenas modelos de baixo volume poderia limitar os ganhos de escala. Por outro lado, fabricar veículos capazes de atender também a outros mercados da América Latina poderia melhorar a utilização da planta e diluir os custos industriais.
Hyundai Brasil poderá controlar a Kia no país
Segundo apuração do BlogAuto, a operação brasileira da Kia deverá ficar sob responsabilidade da Hyundai Motor Brasil, comandada por Airton Cousseau. Essa estrutura colocaria a administração das duas marcas sob uma coordenação corporativa mais próxima, embora Kia e Hyundai continuem com posicionamentos e redes comerciais distintos.
A solução também poderá permitir que a nova unidade fabril produza veículos das duas marcas. A fábrica da Hyundai em Piracicaba opera em três turnos e produz HB20, Creta e, desde junho de 2026, o i20.
A utilização de uma nova fábrica por Hyundai e Kia aumentaria a flexibilidade do grupo para distribuir a produção de acordo com a demanda. Também poderia abrir espaço para novos modelos sem pressionar ainda mais a atual unidade de Piracicaba.
Essa possibilidade, no entanto, ainda faz parte da apuração do BlogAuto. Não há confirmação pública sobre divisão de capacidade, linhas de produção ou compartilhamento de plataformas entre as duas marcas.
O que muda para a Kia no mercado brasileiro?
A produção nacional poderia reduzir a dependência de veículos importados da Coreia do Sul e do México. Atualmente, custos logísticos, variação cambial e Imposto de Importação dificultam a competitividade dos automóveis da Kia diante de modelos produzidos no Brasil.
A marca manteve presença no país com veículos como Bongo e Sportage, mas perdeu participação em relação aos seus melhores anos. Uma estrutura industrial brasileira poderia ampliar o portfólio, melhorar o abastecimento da rede e permitir preços menos expostos às oscilações do dólar.
A mudança também ocorre em um mercado mais competitivo. Fabricantes chinesas ampliaram investimentos, lançamentos e produção local, especialmente em veículos híbridos e elétricos. Ao mesmo tempo, marcas tradicionais reorganizam suas operações para reduzir custos e acelerar decisões.
A hipótese de concessionárias compartilhadas entre Hyundai e Kia também circula no setor, mas não foi confirmada. A comparação com grupos que reúnem diferentes marcas sob o mesmo ponto comercial é possível, porém não significa que o mesmo formato será necessariamente adotado.
Quando a mudança poderá ser anunciada?
Segundo apuração de João Anacleto, a transferência da operação poderá ser anunciada publicamente nos próximos dias e concluída até o final de 2026. O acordo industrial, por sua vez, teria como horizonte a construção da fábrica até 2028.
Até que haja um comunicado oficial, permanecem sem confirmação o valor do investimento, o local definitivo da fábrica, os veículos escolhidos, a estrutura societária da operação e os termos do eventual acordo sobre o passivo da Asia Motors.
A mudança tem potencial para recolocar a Kia em uma posição mais competitiva no Brasil, mas fábrica nova não resolve tudo por decreto. Produto adequado, escala, rede preparada e preço coerente continuam sendo os elementos que separam um plano industrial de um projeto capaz de sobreviver ao mercado real.
Perguntas frequentes
A Kia vai assumir diretamente sua operação no Brasil?
Segundo apuração do jornalista João Anacleto, do canal A Roda, a matriz sul-coreana negocia assumir a operação atualmente comandada pelo Grupo Gandini. A transição poderá ocorrer até o final de 2026, mas ainda não foi oficialmente confirmada pela Kia.
A Kia terá uma fábrica no Brasil?
Segundo apuração de João Anacleto, a Kia assumiria o compromisso de construir uma fábrica brasileira até 2028. A unidade poderá ser instalada em Piracicaba, ao lado da atual fábrica da Hyundai, mas os detalhes do investimento ainda são dados não divulgados.
Quais carros serão produzidos pela Kia no Brasil?
Os modelos que poderão ser fabricados na futura unidade ainda não foram informados. Segundo apuração do BlogAuto, a nova fábrica também poderá produzir veículos Hyundai, dependendo da estratégia industrial adotada pelo grupo.
Qual é o valor da dívida relacionada à Asia Motors?
Segundo apuração de João Anacleto, o passivo corrigido estaria próximo de R$ 6 bilhões. A cobrança está relacionada a incentivos fiscais concedidos nos anos 1990 para uma fábrica da Asia Motors que não foi construída.
O Grupo Gandini deixará de representar a Kia?
Segundo apuração de João Anacleto, o Grupo Gandini poderá entregar o comando da operação até o fim de 2026, encerrando uma relação de 34 anos. A rede de concessionárias já teria sido comunicada sobre as negociações.
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