Motores V6 e V8 em baixa

Motores V6 e V8 em baixa

Estávamos em meados dos anos 1990 e a Fórmula 1 via o sucesso dos motores Honda e depois Renault, ambos V10. Enquanto isso, a Ferrari insistia no propulsor V12, uma tradição da marca que, de interessante, tinha apenas o ruído característico, diferente dos demais. Depois de relutar muito, a equipe abandonou o V12 em favor do V10 e as vitórias vieram com Michael Schumacher.

Conto essa história porque da mesma forma que a Ferrari insistiu no V12 sem nenhum argumento sensato – o motor era mais pesado e ineficiente que os V10 -, algumas marcas mantêm o foco nos propulsores V6 e V8 sob o argumento de que o cliente busca mais potência e torque.

Ocorre que o advento da crise financeira (no caso, mais o petróleo) e a preocupação ambiental fizeram as principais montadoras investirem em motores mais eficientes, deixado de lado unidades com mais de seis cilindros.

Essa nova realidade já pode ser percebida. Hoje, durante o lançamento do Audi Q5, nos surpreendeu o fato de a versão 2.0 TFSI ter desempenho quase idêntico ao V6 3.2 FSI: são apenas três décimos de segundos a mais na aceleração de 0 a 100 km/h com um rendimento no consumo de 1 km por litro a mais. Ou seja, para quê ter um motor tão grande a não ser por status?

A Citroën esta semana lançou o novo C5 e somente trouxe a versão 2.0 16V. Tudo bem, os leitores criticaram com razão afinal um carro desse tamanho com um motor de 2 litros parece um crime. Mas o V6 também não seria a solução. Perguntamos à assessoria da marca a razão de não termos essa versão e a resposta foi curiosa: “o motor V6 está deixando de ser fabricado. Nossos investimentos estão concentrados na nova família desenvolvida em conjunto com a BMW”. Essa nova família tem cilindrada menor e rendimento superior, bem ao gosto dos ambientalistas.

Por falar em BMW, ela e a Mercedes estudam novos motores com apenas três cilindros. E o futuro próximo prevê pequenos propulsores com cilindrada entre 1.2 e 2.0, injeção direta de combustível, turbo e muita eletrônica. É só ver o próprio 2.0 da Audi que no TT-S rende 272 cv, uma média de 136 cv por litro.

Dizer que os V6 e V8 sumirão pode parecer forte, mas sua presença nos carros de passeio parece estar com os dias contados.