Não é exatamente uma novidade recebermos e-mails de leitores que reclamam que seus carros não conseguem ter a mesma eficiência de consumo de combustível que os apontados pelas fichas técnicas fornecidas pelas montadoras. Em grande parte, a razão se deve ao fato de que o valor obtido pelos fabricantes se dá em condições ideais, difíceis de serem reproduzidas no dia-a-dia. Mas o caso do Captiva, da Chevrolet, chamou nossa atenção. A discrepância entre o que fala a GM e o que os proprietários têm experimentado é gritante.

Segundo a montadora, o Captiva Sport FWD (com tração dianteira) percorre 8 km para cada litro de gasolina na cidade e 12,8 km na estrada de acordo com a norma NBR7024, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Mas relatos de proprietários apontam números muito piores. O primeiro caso surgiu aqui no BlogAuto, do leitor Marco Aurélio, que explicou que seu Captiva consegue fazer um consumo de 6 km/l na cidade e 9 km/l na estrada em condições normais, ou seja, sem se esforçar para economizar.

Agora nos chegou um e-mail via nosso parceiro Fast Driver que relata uma situação mais grave. O leitor Antonio Sergio diz que seu Captiva não consegue mais que 3,8 km/l na cidade e 7,6 km/l na estrada. Alguns leitores chegaram a duvidar antes mesmo de o crossover começar a ser vendido se 8 km/l num V6 3.6 não era fantasioso demais, afinal muitos 4 cilindros não conseguem isso.

O fato é que a norma NBR7024 acaba criando problemas demais para as montadoras porque, embora correta pelo aspecto técnico, está muito longe da realidade das ruas. Como andar com seu carro numa via plana, ao nível do mar, sem buracos, sem trânsito, com uma só temperatura e pressão barométrica, sem falar em conseguir um combustível de alta qualidade? Impossível…

Por isso muitas marcas, sobretudo as japonesas, se recusam a divulgar os resultados das medições feitas com o NBR7024, justamente para evitar ações de clientes insatisfeitos. Apesar de seguir um padrão internacional, não seria o caso de a ABNT criar uma norma mais pessimista, que nos desse um parâmetro mínimo de desempenho desses veículos em vez de estipular uma referência utópica, afinal o consumidor merece ter essa informação quando compra um produto caro como é o automóvel.